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sábado, 24 de junho de 2023

MEMÓRIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES EM AULAS COLETIVAS DE VIOLÃO

Projeto Simplesmente Música                                                               

Junho 2023

                                                                                                      

MEMÓRIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES EM AULAS COLETIVAS DE VIOLÃO

 

 

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

O presente trabalho tem como objetivo provocar reflexão sobre a memória e suas contribuições em aula de violão em grupo.

Palavras chave: memória, ensino coletivo de violão.

 

 

A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA NO APRENDIZADO E EXECUÇÃO MUSICAL

 

A memorização é uma ferramenta essencial no processo de aprendizagem e execução musical. Estão relacionados nesse processo “(...) a vontade do sujeito, assim como sua atenção, motivação, interesse, treino, estado emocional, tempo de dedicação ao ensaio, entre outros" (BRAZ, 2013, p. 80).

(...) as informações necessárias para a execução de um instrumento musical são reservadas nas várias memórias que se interligam, podemos resumi-las em: digital, visual e auditiva (PINTO, 2005, p. 19).  

 

Conforme Ilari (2006, p. 273-276) o processo de desenvolvimento da memória humana inicia-se por volta do sexto mês de gestação. Nesse período o ouvido passa a exercer a sua função. Ainda, durante esse período a memória de longo prazo de um feto passa a ser capaz de armazenar informações relacionadas ao som. Logo, posterior ao nascimento, os bebês são capazes de perceber a direção de uma fonte sonora, apresentando capacidades auditivas (percepção de altura e intensidade). De acordo com Cunha, Lombardi, Ciszevski (2009, p. 44) a evolução da memória deve ser aperfeiçoada desde a infância. Conforme Ilari (2006), a memória musical própria existe devido à vivência com a música antes do nascimento e depois do nascimento. Vieira; Prado; Leão, (2013) afirmam sobre pesquisas comprovando que os bebês são capazes de reconhecer depois do nascimento a mesma versão da música ouvida no útero, até mesmo posterior a um período de três semanas.

 

MEMÓRIA SENSORIAL

 

A memória sensorial é o início do processo de memorização onde as informações processadas ficam registradas no cérebro por menos de dois segundos (memória de curto prazo). Por exemplo: um músico fazendo leitura de uma música à primeira vista, tendo este ótima compreensão da peça, o mesmo tocará sem dificuldade. Entretanto, retirando-lhe a partitura, com dificuldade tocará a mesma música novamente. Isso ocorre porque a memória registra as informações da peça por curto espaço de tempo.

 

MEMÓRIA DE CURTO PRAZO

 

Segundo Albano (2013), a memória de curto prazo tem pouca capacidade para armazenar informações. Sendo assim, para armazenar as informações estudadas por mais tempo, é necessário que o estudante tenha interesse em aprender e pratique a atividade repetindo a lição. Fora isso, as informações se perderão.

Consonante com Izquierdo (2011, p. 68), as repetições da leitura musical e dos exercícios proporcionam a transferência das informações processadas sedimentando esse conteúdo na memória de longo prazo. Dessa forma, toda a sequência musical da peça estudada ficará memorizada. A memória de curto prazo pode se estender por um período de até seis horas após o momento do aprendizado, é nessa fase que a memória de longo prazo passa a ser constituída.

 

MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

 

Segundo Baddeley, Anderson e Eysenck (2011, p. 23), A memória de longo prazo é conhecida como “(...) um sistema ou sistemas que servem de base à capacidade de armazenar informação por longos períodos de tempo”.

 

PROCEDIMENTOS PARA MANUTENÇÃO DA MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

 

1.    Processamento automático - "É como se essas memórias fossem impressas em nossas mentes como um flash. Isso ocorre porque estas estão carregadas de emoção" (BRAZ, 2013, p. 80).

 

2.    Repetição mecânica - Processo que busca reter as informações através do treino e repetições (BRAZ, 2013, p. 80).

 

3.    Repetição elaborativa - "esse procedimento é essencial para os instrumentistas, pois agrega mecanismos automatizados com outros que poderão ser automatizados no futuro (...)" (BRAZ, 2003, p. 81).

 

4.    Importância da emoção no processo de aprendizagem - "[...] quando há emoção, a memória é forte. Ausência de emoção significa memória mais fraca" (BRAZ, 2013, p. 83).

 

5.    Atenção - “[...] quem não gosta do que estuda tem um poder de memorização menor" (BRAZ, 2013, p. 83). O indivíduo que não tem interesse em aprender o assunto e não encontra motivação para aprender, naturalmente não terá atenção nem concentração.

 

6.    Contexto - Segundo Cruvinel (2005, p. 77) a assimilação dos conceitos teóricos musicais e memorização poderão ser mais eficientes se estiverem interligados com o contexto da prática musical durante a aprendizagem. Ainda, segundo a autora, esse processo de ensino de teoria musical contextualizado com a prática é denominado de teoria aplicada.

 

7.    Sono - "[...] ajuda a consolidar memórias, fixando-as no cérebro, para que possamos recuperá-las posteriormente; ele reorganiza memórias, escolhendo os detalhes emocionais e os reconfigurando para ajudar a produzir ideias novas e criativas" (BRAZ, 2013, p. 85).

 

CONSIDERAÇÕES

 

Para melhor aproveitamento no processo de aprendizagem de violão em grupo é importante que durante os estudos ocorram memorização, assimilação dos conceitos teóricos musicais e interligação com o contexto da prática musical. Escolher repertório que seja interessante para os alunos e atraia a sua atenção, dando-lhes a sensação de estarem experimentando tocar em um conjunto musical, camerata ou em uma orquestra de violões. Essa emoção provoca a liberação de hormônios que favorecem tanto a concentração como a memorização dos conteúdos vivenciados. Aplicar divisão de conteúdos nas aulas coletivas de violão em diferentes momentos, durante a mesma aula, associando esses conteúdos a leitura, partitura, apreciação musical e cifra. "[...] espalhar a informação ao longo do tempo é mais eficiente do que concentrá-la em um único período por horas seguidas" (BRAZ, 2013, p. 82). Quando uma turma de alunos já possui algum conhecimento prévio do conteúdo musical a assimilação de todos novos conteúdos é facilitada, pois os alunos conseguem realizar conexões, associações, gerando aprendizado a partir do que está sedimentado na memória.

Acredito ser importante compartilhar esse conhecimento, pois existem muitas e variadas formas de ensino de violão em grupo, e muito para se descobrir. Sobretudo acredito que esse trabalho possa ser útil para interessados no assunto abordado.

 

 

REFERÊNCIAS

ALBANO, Lilian Maria José. Aspectos neurológicos do processo de memorização. In: LIMA, Sonia Regina Albano de (Org.). Memória, performance e aprendizagem musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 7-63.

BADDELEY, Alan; ANDERSON, Michael C.; EYSENCK, Michael. W. Memória. Tradução: Cornélia Stolting. Porto Alegre: Artmed, 2011.

BRAGA, Simone; TOURINHO, Cristina. Um por todos ou todos por um: processos avaliativos em música. Feira de Santana: UEFS Editora, 2013.

BRAZ, Ana Lucia Nogueira. Memória: tipos e atributos. In: LIMA, Sonia Regina Albano de (Org.). Memória, Performance e Aprendizagem Musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 65-94.

CRUVINEL, Flávia Maria. Educação Musical e Transformação Social: uma experiência com ensino coletivo de cordas. Goiânia: ICBC, 2005.

CUNHA, Sandra Mara da; LOMBARDI, Silvia Salles Leite; CISZEVSKI, Wasti Silvério. Reflexões acerca da formação musical de professores generalistas a partir dos princípios: “os quatro pilares da educação” e “educação ao longo de toda a vida.” Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 22, p. 41–48, 2009.

ILARI, Beatriz. Desenvolvimento cognitivo-musical no primeiro ano de vida. In: ILARI,

Beatriz. (Org.). Em busca da mente musical: Ensaios sobre os processos cognitivos em música - da percepção à produção. Curitiba: Editora da UFPR, 2006. p. 271-302.

IZQUIERDO, Iván. Memória. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

LEÃO, Eliane. Aprendizagem e Memória - implicações para a educação musical. In: LIMA, S. R. (Org.). Memória, Performance e Aprendizagem Musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 95-113.

SÁ, Fábio Amaral da Silva; LEÃO, Eliane. Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais: um levantamento nas produções publicadas pela ABEM em Revistas e Anais (1992-2013). In: Encontro Nacional de Ensino Coletivo de Instrumento Musical, 6. 2014. Salvador. Anais... Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2014.

VIEIRA, Edna; PRADO, Antonio; LEÃO, Eliane. Cognição de Bebês: o papel da música na comparação da vida intrauterina e pós-natal e os resultados na linguagem e leituras. In: LEÃO, Eliane (Org.). Pesquisa em Música: apresentação de metodologias, exemplos e resultados. Editora CRV. Curitiba: 2013. p. 29-33.


A MÚSICA GOSPEL E A MARCA GOSPEL, UMA BREVE REFLEXÃO

 Projeto Simplesmente Música                                                                

Fevereiro 2023

                                                                                                      

A MÚSICA GOSPEL E A MARCA GOSPEL: UMA BREVE REFLEXÃO

Gospel music and the gospel brand: a brief reflection

 

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

Resumo: o presente artigo traz uma reflexão sobre a música gospel no meio evangélico, a forma de utilização da marca gospel. Uma visão do curso do gênero Gospel do período 1920 até a atualidade em um breve contexto.

Palavras-chave: música evangélica, música gospel, igrejas evangélicas.

 

As igrejas evangélicas, com a utilização da mídia, conseguiram aumentar a quantidade de seguidores utilizando-se do rádio, televisão, shows gospel e discurso teológico direcionado para os públicos evangélicos e não evangélicos. Por exemplo, a compra da Rede Record pela Igreja Universal do Reino de Deus e a fundação da Igreja Renascer em Cristo na década de 1980. Segundo Edward (2002), o mercado da música evangélica no Brasil movimenta mais de três bilhões de reais por ano. 

Os evangélicos surgiram a partir do protestantismo no século XVI, com os reformadores Martinho Lutero, Úlrico Zuínglio e João Calvino. Segundo as sociólogas Ivani Vasconcelos de Camargo e Jôse Rocha Fogaça (1997), no Brasil os pentecostais são em maior número que os evangélicos históricos. Sendo possível diferenciar as igrejas protestantes tradicionais das pentecostais e neopentecostais.

A música praticada nas igrejas passou a ser popularizada em algumas emissoras de rádio, tornando-se conhecida como música gospel. Segundo Bitun (1996), a marca Gospel foi patenteada pela Fundação Renascer. Vários produtos como, bonés e camisetas entre outros, todos com a marca Gospel ou com o nome Jesus são comercializados em livrarias montadas próximas às igrejas Renascer. Ainda conforme o autor, a música gospel é um gênero musical criado no século XIX por cristãos negros norte-americanos. Visto que, os escravos não podiam participar de atividades onde estavam os seus senhores e, a partir disso, formaram igrejas para pessoas negras. Era na igreja onde os negros tinham alguma liberdade para praticarem seus costumes utilizando-se da música. Conforme Baggio (2005), o termo gospel (música cristã), no Brasil, faz parte de uma tática de marketing elaborada na década 1990.

Segundo Rolando de Nassau [s.d.], os escravos cantavam durante a jornada exaustiva de trabalho (work songs), uma vez que, não podiam se comunicar através da fala, nem podiam aprender a ler e escrever. Somente alguns escravos autorizados pelos seus senhores podiam estudar a língua através dos textos bíblicos. Com isso, tornou-se possível improvisar nas canções religiosas uma interpretação própria que ajudava nas dores sentimental e espiritual “Spirituals” (música improvisada que resultava em manifestação emocional coletiva).

Nasceram no final do século XIX duas formas do canto afro-americano: a profana (blues) e a religiosa (spirituals). Segundo Baggio (2005), Thomas A. Dorsey, compositor, no ano 1920 criou o termo música gospel; fundindo o blues com a música gospel, para designar canções que anteriormente eram chamadas de evangelísticas. No ano 1940, surgiu no cenário musical Mahalia Jackson, Clara Ward e Rosetta Tharpe que fizeram a música gospel popularizar com suas gravações. Em 1950 adveio o rock’n’roll, Bill Halley e seus Cometas foi de grande importância para o crescimento desse gênero musical. Desenvolveu uma forma de movimento que agradava a brancos e negros. Entretanto, Bill Halley não era negro. Foi Elvis A. Presley que, cedo iniciado na igreja pentecostal (estilo), Assembleia de Deus, aprendeu a cantar canções gospel e spiritual, conseguindo tornar a música negra acessível e importante para os brancos em uma época de grande discriminação racial. O rock tornou-se a música da juventude americana. Adolescentes, pré-adolescentes e jovens passaram a ouvir rock e adotar comportamento idêntico às práticas dos seus ídolos.

Na atualidade, distinguem-se na música gospel (evangélica), melodias de pouca dificuldade, letras que manifestam sentimentos pessoais, harmonia simplificada com pouco uso das dissonantes. Ainda, utiliza-se muito de repetição em trechos da letra e os instrumentos são executados com muito ganho no volume, dificultando o entendimento do texto na canção.





REFERÊNCIAS

ALVES, C. A. R. Arabescos sobre a música evangélica contemporânea. [s.d.]. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/

diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/artigos_teses/ENSINORELIGIOSO/artigos/arabescos.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2009.

BAGGIO, S. Música cristã contemporânea. São Paulo: Vida, 2005.

BITUN, R. O neopentecostalismo e sua inserção no mercado moderno. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Instituto.

Eliane Hilario da Silva Martinoff A música evangélica na atualidade: algumas reflexões sobre a relação entre religião, mídia e sociedade Revista da abem: março 2010, nº 23.

 

MÚSICA DAS ESFERAS

 Projeto Simplesmente Música                                                            

Maio 2023

                                                                                                      

MÚSICA DAS ESFERAS

Music of the Spheres

 

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

 

Resumo: o presente artigo traz um panorama voltado para a música, através ;da discussão sobre Música das Esferas, conforme o olhar de Pitágoras.

Palavras-chave: música, teoria da música das esferas, Pitágoras.

 

 

MÚSICA DAS ESFERAS


São poucas as referências sobre a teoria da Música das Esferas. Segundo Pitágoras, o universo existe em concordância com a harmonia musical e a única forma de compreender o universo era estudando matemática, astronomia e música. Para reforçar essa teoria é possível acrescentar que, conforme o Site Galileu, especialistas da NASA utilizaram um processo conhecido como sonificação para coletar os dados da Via Láctea. Esse processo converteu as informações coletadas em sons e o resultado foi música, ou seja; a Galáxia produz sons, notas musicais de forma harmônica. A tradução dos dados foi realizada a partir de uma imagem desenvolvida desses mesmos dados: estrelas foram convertidas em notas individuais, nuvens de gás e poeira produziram zumbido e o ponto principal aconteceu na região de Sagitário A*, onde as nuvens de gás e poeira são mais brilhantes.

Foi atribuído a Pitágoras o primeiro estudo científico da música e seus intervalos de frequências com relação aos números inteiros, pesquisa que deu origem ao metalofone, o primeiro instrumento musical feito por ele. Depois de mais estudos e análises entre os diferentes sons, verificou-se que uma harmonia acontecia quando as chapas tinham uma relação, por exemplo: se uma determinada nota fosse tocada na chapa do metalofone, encontrava-se a mesma nota com um tom mais agudo quando fosse tocada numa chapa que tivesse a metade do tamanho da anterior (uma oitava acima). Ao continuar investigando sobre sons musicais com relação aos números inteiros, Pitágoras criou um instrumento chamado de Monocórdio (instrumento de uma corda presa por dois cavaletes fixos nas extremidades e um cavalete móvel que o possibilitava alterar o comprimento da corda, assim, essa corda vibrava em frequências diferentes). Como resultado desta investigação, Pitágoras percebeu que a corda reduzida a 2/3 do seu tamanho originaria o som de quinta justa e reduzida em 3/4 produziria o intervalo de quarta justa. A partir desses estudos foi criada a escala diatônica com sete notas (intervalos de tons e semitons): dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.

Um dos problemas na escala Pitagórica era a relação entre as frequências de tons e semitons, ou seja, a soma entre dois semitons não coincidia com a frequência de um tom. A solução para isso foi criar a escala cromática, dividindo os intervalos em doze semitons, observando os sons consonantes nas relações entre as frequências na razão de 3/2, ao que resultou nos intervalos das quintas justas. Entretanto, a escala cromática trazia um problema quando se precisava executar uma música em diferentes oitavas. Isso foi resolvido pelo matemático e físico, o belga Simon Stevin (1548 - 1620), quando criou o temperamento, ajustou a escala cromática para que as notas tivessem a mesma distância e encaixe perfeito no ciclo de oitavas fazendo 12 semitons equidistantes. Dessa forma foi possível fechar o ciclo de oitavas com 12 intervalos.

O músico alemão, Johann Sebastian Bach quem compôs a obra que mudou estilo da música europeia no período barroco. Em 1722, Bach compilou algumas de suas obras e lançou “O cravo bem temperado”, utilizando a escala temperada para suas composições.

 

ESCALA TEMPERADA E A PITAGÓRICA








REFERÊNCIAS

https://www.joelsonluthier.com.br/2021/09/microtonalismo.html.


https://www.ufrgs.br/amlef/2022/12/13/movimento-acustica-musica-arte-e-ciencia/.

ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA PÚBLICA NO BRASIL, LINHA DO TEMPO

 Projeto Simplesmente Música                                                               

Maio 2023

                                                                                                      

ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA PÚBLICA NO BRASIL, LINHA DO TEMPO

 

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

Resumo: o presente artigo traz um cronograma do ensino religioso nas escolas do Brasil.

Palavras-chave: ensino religioso, ensino religioso nas escolas.

 

Em 1549 foi fundada em Salvador o Colégio da Companhia de Jesus, muitas escolas públicas gratuitas foram criadas nesse período.

Em 1759 o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de Portugal e o ensino público passou às mãos de outros setores da Igreja Católica.

Em 1824 entrou em vigor a Constituição Política do Império do Brazil, no dia 25 de março de 1824. A carta outorgada por D. Pedro I estabeleceu que a religião Católica Apostólica Romana permaneceria como  Religião do Império.

Em 1890 o presidente Manoel Deodoro da Fonseca assinou o Decreto 119. proibindo intervenção da autoridade federal e dos Estados Federados em matéria religiosa e consagra a plena liberdade de cultos. Regime Jurídico de Plena Separação Estado-Religiões.

Em 1891 Entrou em vigor a primeira Constituição Republicana que definiu a separação entre o Estado e quaisquer religiões ou cultos, assim, todas as religiões deveriam ser aceitas no Brasil e poderiam praticar sua crença e seu culto livre e abertamente.

Em 1931 o Decreto de Getúlio Vargas reintroduziu o ensino religioso nas escolas públicas no Brasil. Contrário a essa decisão foi lançada a Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, composta por representantes de todas as religiões, além de intelectuais, como a poetisa Cecília Meireles.

Em 1934 foi promulgada uma nova Constituição. “O ensino religioso será de frequência facultativa e ministrado de acordo com os princípios da confissão religiosa do aluno manifestada pelos pais ou responsáveis e constituirá matéria dos horários nas escolas públicas primárias, secundárias, profissionais e normais”.

A partir de 1946 o ensino religioso constituiu disciplina dos horários das escolas oficiais, o ensino seria ministrado de acordo com a confissão religiosa do aluno ou pelo seu representante legal ou responsável.

Em 1961 a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 4024/61) no artigo 97: "O ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais, é de matrícula facultativa, e será ministrado sem ônus para os poderes públicos, de acordo com a confissão religiosa do aluno, manifestada por ele, se for capaz, ou pelo seu representante legal ou responsável. § 1º A formação de classe para o ensino religioso independe de número mínimo de alunos. § 2º O registro dos professores de ensino religioso será realizado perante a autoridade religiosa respectiva.".

1967, nova Constituição Federal: "O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas oficiais de grau primário e médio.".

1971 LDB (5692/71): "Art. 7º Será obrigatória a inclusão de Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística e Programas de Saúde nos currículos plenos dos estabelecimentos de lº e 2º graus, observado quanto à primeira o disposto no Decreto-Lei n. 369, de 12 de setembro de 1969. Parágrafo único. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais dos estabelecimentos oficiais de 1º e 2º graus".

Em 1988, nova Constituição: artigo 210, parágrafo primeiro: "O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental". O artigo 5 define: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias".

Em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9394/96), de dezembro de 1996, diz: "O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus responsáveis, em caráter: I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa."

Em julho de 1997, artigo 33 da LDB 9394/96 (a lei n.º 9.475): "O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.

§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.

§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.".

2009 - Aprovação pelo Congresso Nacional do Acordo Brasil-Santa Sé, assinado pelo Executivo em novembro de 2008. O acordo cria novo dispositivo, discordante da LDB em vigor: "Art. 11 - A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa. §1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação".

 





REFERÊNCIAS

Projeto "O caráter educativo da laicidade do Estado para a esfera pública" (UMESP/USP/MPD/FAPESP).

http://www.presidencia.gov.br/legislacao/.

A PALAVRA MÚSICA E SUAS DOUTRINAS

 Projeto Simplesmente Música                                                              

Maio 2023

                                                                                                      

A PALAVRA MÚSICA E SUAS DOUTRINAS

The word music

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

Resumo: o presente artigo traz a história da música ocidental, suas doutrinas filosóficas em breve contexto.

Palavras-chave: música, música ocidental, doutrinas.

 

 

A PALAVRA MÚSICA


A parir do grego, música significava a arte das musas e estavam relacionadas com as atividades que buscavam a beleza e a verdade. As musas eram as ninfas que ensinavam aos seres humanos as verdades dos deuses, semideuses e heróis, através da poesia, da dança, do canto lírico e do teatro.

Entendendo-se que a música grega e a música da Igreja Cristã tinham em comum a estrutura monofônica. Entretanto, a igreja condenava todas as formas de música fora da religião cristã, classificando-as como músicas pagãs. Contudo, na Grécia Antiga acreditava-se que a música tinha poderes mágicos, capazes de curar doenças, purificar o corpo e o espírito. A mitologia atribuía à música aos deuses.

 

A DOUTRINA DA PURIFICAÇÃO DA ALMA


Pitágoras defendia e ensinava doutrinas sobre a natureza da música, o seu lugar no cosmos, os seus efeitos e a forma conveniente de usá-la na sociedade; descrições sistemáticas dos modelos e materiais da composição musical e a relação da união entre música e poesia.


DOUTRINA DO ETOS


Segundo Platão, a música tinha o poder de transformar as pessoas e o seu estado de espírito, deveria ser uma ferramenta para exaltar as qualidades do indivíduo, deveria também, ser utilizada no sistema de educação com o objetivo de equilibrar ginástica e música (corpo e espírito). O modo dórico e o modo frígio seriam bem indicados para a educação, essa forma de escala poderiam promover coragem e temperança.

 

DOUTRINA DA IMITAÇÃO


Segundo Aristóteles a educação musical era fundamental aos jovens e deveria ser iniciada a partir da audição, como arte, atingia o interior do homem alcançando o estado afetivo da mente.  A música poderia atingir um caráter ético, pois seria capaz de mexer com o interior e o caráter das pessoas. Logo, deveria ser utilizada como elemento educativo. A música, também, era fonte de divertimento e fazia parte da natureza humana; portanto, diferentes tipos de harmonia gerariam diferentes tipos de emoção, pois, os modos musicais tinham diferenças fundamentais e quem os ouvia era afetado de maneiras diversas. Assim, o modo dórico e o modo mixolídio poderiam causar sensação de tranquilidade e tristeza. Para Aristóteles a música imita as paixões ou estado da alma: brandura, ira, coragem, temperança, bem como seus opostos.

 

MÚSICA MEDIEVAL


No século V, a Igreja Católica pretendendo padronizar o culto e desenvolver um estilo único, fundou a Schola Cantorum, em Roma, onde os padres compositores deveriam estudar. Um coro profissional passou a exercer todas as funções musicais nas cerimônias. Entretanto, não eram permitidos instrumentos musicais, considerados pela igreja elementos do mundo pagão ou instrumentos demoníacos. A música religiosa deste período é ligada ao canto gregoriano, a melodia depende da forma do poema e se desenvolve descendo e subindo por graus conjuntos e com raros saltos intervalares, tem caráter sereno, sendo uniforme em suas nuances.

Cantata

  Projeto Simplesmente Música                                                                 Setembro, 2023                            ...