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sábado, 24 de junho de 2023

A MÚSICA GOSPEL E A MARCA GOSPEL, UMA BREVE REFLEXÃO

 Projeto Simplesmente Música                                                                

Fevereiro 2023

                                                                                                      

A MÚSICA GOSPEL E A MARCA GOSPEL: UMA BREVE REFLEXÃO

Gospel music and the gospel brand: a brief reflection

 

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

Resumo: o presente artigo traz uma reflexão sobre a música gospel no meio evangélico, a forma de utilização da marca gospel. Uma visão do curso do gênero Gospel do período 1920 até a atualidade em um breve contexto.

Palavras-chave: música evangélica, música gospel, igrejas evangélicas.

 

As igrejas evangélicas, com a utilização da mídia, conseguiram aumentar a quantidade de seguidores utilizando-se do rádio, televisão, shows gospel e discurso teológico direcionado para os públicos evangélicos e não evangélicos. Por exemplo, a compra da Rede Record pela Igreja Universal do Reino de Deus e a fundação da Igreja Renascer em Cristo na década de 1980. Segundo Edward (2002), o mercado da música evangélica no Brasil movimenta mais de três bilhões de reais por ano. 

Os evangélicos surgiram a partir do protestantismo no século XVI, com os reformadores Martinho Lutero, Úlrico Zuínglio e João Calvino. Segundo as sociólogas Ivani Vasconcelos de Camargo e Jôse Rocha Fogaça (1997), no Brasil os pentecostais são em maior número que os evangélicos históricos. Sendo possível diferenciar as igrejas protestantes tradicionais das pentecostais e neopentecostais.

A música praticada nas igrejas passou a ser popularizada em algumas emissoras de rádio, tornando-se conhecida como música gospel. Segundo Bitun (1996), a marca Gospel foi patenteada pela Fundação Renascer. Vários produtos como, bonés e camisetas entre outros, todos com a marca Gospel ou com o nome Jesus são comercializados em livrarias montadas próximas às igrejas Renascer. Ainda conforme o autor, a música gospel é um gênero musical criado no século XIX por cristãos negros norte-americanos. Visto que, os escravos não podiam participar de atividades onde estavam os seus senhores e, a partir disso, formaram igrejas para pessoas negras. Era na igreja onde os negros tinham alguma liberdade para praticarem seus costumes utilizando-se da música. Conforme Baggio (2005), o termo gospel (música cristã), no Brasil, faz parte de uma tática de marketing elaborada na década 1990.

Segundo Rolando de Nassau [s.d.], os escravos cantavam durante a jornada exaustiva de trabalho (work songs), uma vez que, não podiam se comunicar através da fala, nem podiam aprender a ler e escrever. Somente alguns escravos autorizados pelos seus senhores podiam estudar a língua através dos textos bíblicos. Com isso, tornou-se possível improvisar nas canções religiosas uma interpretação própria que ajudava nas dores sentimental e espiritual “Spirituals” (música improvisada que resultava em manifestação emocional coletiva).

Nasceram no final do século XIX duas formas do canto afro-americano: a profana (blues) e a religiosa (spirituals). Segundo Baggio (2005), Thomas A. Dorsey, compositor, no ano 1920 criou o termo música gospel; fundindo o blues com a música gospel, para designar canções que anteriormente eram chamadas de evangelísticas. No ano 1940, surgiu no cenário musical Mahalia Jackson, Clara Ward e Rosetta Tharpe que fizeram a música gospel popularizar com suas gravações. Em 1950 adveio o rock’n’roll, Bill Halley e seus Cometas foi de grande importância para o crescimento desse gênero musical. Desenvolveu uma forma de movimento que agradava a brancos e negros. Entretanto, Bill Halley não era negro. Foi Elvis A. Presley que, cedo iniciado na igreja pentecostal (estilo), Assembleia de Deus, aprendeu a cantar canções gospel e spiritual, conseguindo tornar a música negra acessível e importante para os brancos em uma época de grande discriminação racial. O rock tornou-se a música da juventude americana. Adolescentes, pré-adolescentes e jovens passaram a ouvir rock e adotar comportamento idêntico às práticas dos seus ídolos.

Na atualidade, distinguem-se na música gospel (evangélica), melodias de pouca dificuldade, letras que manifestam sentimentos pessoais, harmonia simplificada com pouco uso das dissonantes. Ainda, utiliza-se muito de repetição em trechos da letra e os instrumentos são executados com muito ganho no volume, dificultando o entendimento do texto na canção.





REFERÊNCIAS

ALVES, C. A. R. Arabescos sobre a música evangélica contemporânea. [s.d.]. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/

diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/artigos_teses/ENSINORELIGIOSO/artigos/arabescos.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2009.

BAGGIO, S. Música cristã contemporânea. São Paulo: Vida, 2005.

BITUN, R. O neopentecostalismo e sua inserção no mercado moderno. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Instituto.

Eliane Hilario da Silva Martinoff A música evangélica na atualidade: algumas reflexões sobre a relação entre religião, mídia e sociedade Revista da abem: março 2010, nº 23.

 

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