Projeto Simplesmente Música
Fevereiro 2023
A MÚSICA GOSPEL E A MARCA GOSPEL: UMA
BREVE REFLEXÃO
Gospel
music and the gospel brand: a brief reflection
Prof. Ailton Rozendo
Resumo: o presente
artigo traz uma reflexão sobre a música gospel no meio evangélico, a forma de
utilização da marca gospel. Uma visão do curso do gênero Gospel do período 1920
até a atualidade em um breve contexto.
Palavras-chave:
música evangélica, música gospel, igrejas evangélicas.
As
igrejas evangélicas, com a utilização da mídia, conseguiram aumentar a
quantidade de seguidores utilizando-se do rádio, televisão, shows gospel e
discurso teológico direcionado para os públicos evangélicos e não evangélicos. Por
exemplo, a compra da Rede Record pela Igreja Universal do Reino de Deus e a fundação
da Igreja Renascer em Cristo na década de 1980. Segundo Edward (2002), o mercado
da música evangélica no Brasil movimenta mais de três bilhões de reais por ano.
Os
evangélicos surgiram a partir do protestantismo no século XVI, com os
reformadores Martinho Lutero, Úlrico Zuínglio e João Calvino. Segundo as sociólogas
Ivani Vasconcelos de Camargo e Jôse Rocha Fogaça (1997), no
Brasil os pentecostais são em maior número que os evangélicos históricos. Sendo
possível diferenciar as igrejas protestantes tradicionais das pentecostais e
neopentecostais.
A
música praticada nas igrejas passou a ser popularizada em algumas emissoras de
rádio, tornando-se conhecida como música gospel. Segundo Bitun (1996), a marca
Gospel foi patenteada pela Fundação Renascer. Vários produtos como, bonés e
camisetas entre outros, todos com a marca Gospel ou com o nome Jesus são
comercializados em livrarias montadas próximas às igrejas Renascer. Ainda
conforme o autor, a música gospel é um gênero musical criado no século XIX por
cristãos negros norte-americanos. Visto que, os escravos não podiam participar
de atividades onde estavam os seus senhores e, a partir disso, formaram igrejas
para pessoas negras. Era na igreja onde os negros tinham alguma liberdade para
praticarem seus costumes utilizando-se da música. Conforme Baggio (2005), o
termo gospel (música cristã), no Brasil, faz parte de uma tática de marketing
elaborada na década 1990.
Segundo
Rolando de Nassau [s.d.], os escravos cantavam durante a jornada
exaustiva de trabalho (work songs), uma vez que, não podiam se comunicar
através da fala, nem podiam aprender a ler e escrever. Somente alguns escravos autorizados
pelos seus senhores podiam estudar a língua através dos textos bíblicos. Com
isso, tornou-se possível improvisar nas canções religiosas uma interpretação
própria que ajudava nas dores sentimental e espiritual “Spirituals” (música
improvisada que resultava em manifestação emocional coletiva).
Nasceram
no final do século XIX duas formas do canto afro-americano: a profana (blues) e
a religiosa (spirituals). Segundo Baggio (2005), Thomas A.
Dorsey, compositor, no ano 1920 criou o termo música gospel; fundindo o blues
com a música gospel, para designar canções que anteriormente eram chamadas de evangelísticas.
No ano 1940,
surgiu no cenário musical Mahalia Jackson, Clara Ward e Rosetta Tharpe que
fizeram a música gospel popularizar com suas gravações. Em 1950 adveio o
rock’n’roll, Bill Halley e seus Cometas foi de grande importância para o
crescimento desse gênero musical. Desenvolveu uma forma de movimento que
agradava a brancos e negros. Entretanto, Bill Halley não era negro. Foi Elvis
A. Presley que, cedo iniciado na igreja pentecostal (estilo), Assembleia de
Deus, aprendeu a cantar canções gospel e spiritual, conseguindo tornar a música
negra acessível e importante para os brancos em uma época de grande
discriminação racial. O rock tornou-se a música da juventude americana. Adolescentes,
pré-adolescentes e jovens passaram a ouvir rock e adotar comportamento idêntico
às práticas dos seus ídolos.
Na atualidade, distinguem-se na música gospel (evangélica), melodias de pouca dificuldade, letras que manifestam sentimentos pessoais, harmonia simplificada com pouco uso das dissonantes. Ainda, utiliza-se muito de repetição em trechos da letra e os instrumentos são executados com muito ganho no volume, dificultando o entendimento do texto na canção.
REFERÊNCIAS
ALVES,
C. A. R. Arabescos sobre a música evangélica contemporânea. [s.d.]. Disponível em:
<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/
diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/artigos_teses/ENSINORELIGIOSO/artigos/arabescos.pdf>.
Acesso em: 11 nov. 2009.
BAGGIO,
S. Música cristã contemporânea. São Paulo: Vida, 2005.
BITUN,
R. O neopentecostalismo e sua inserção no mercado moderno.
Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Instituto.
Eliane
Hilario da Silva Martinoff A música
evangélica na atualidade: algumas reflexões sobre a relação entre religião,
mídia e sociedade Revista da abem:
março 2010, nº 23.
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