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sábado, 24 de junho de 2023

MEMÓRIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES EM AULAS COLETIVAS DE VIOLÃO

Projeto Simplesmente Música                                                               

Junho 2023

                                                                                                      

MEMÓRIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES EM AULAS COLETIVAS DE VIOLÃO

 

 

 

Prof. Ailton Rozendo

ailtonrozendo@gmail.com

 

 

 

O presente trabalho tem como objetivo provocar reflexão sobre a memória e suas contribuições em aula de violão em grupo.

Palavras chave: memória, ensino coletivo de violão.

 

 

A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA NO APRENDIZADO E EXECUÇÃO MUSICAL

 

A memorização é uma ferramenta essencial no processo de aprendizagem e execução musical. Estão relacionados nesse processo “(...) a vontade do sujeito, assim como sua atenção, motivação, interesse, treino, estado emocional, tempo de dedicação ao ensaio, entre outros" (BRAZ, 2013, p. 80).

(...) as informações necessárias para a execução de um instrumento musical são reservadas nas várias memórias que se interligam, podemos resumi-las em: digital, visual e auditiva (PINTO, 2005, p. 19).  

 

Conforme Ilari (2006, p. 273-276) o processo de desenvolvimento da memória humana inicia-se por volta do sexto mês de gestação. Nesse período o ouvido passa a exercer a sua função. Ainda, durante esse período a memória de longo prazo de um feto passa a ser capaz de armazenar informações relacionadas ao som. Logo, posterior ao nascimento, os bebês são capazes de perceber a direção de uma fonte sonora, apresentando capacidades auditivas (percepção de altura e intensidade). De acordo com Cunha, Lombardi, Ciszevski (2009, p. 44) a evolução da memória deve ser aperfeiçoada desde a infância. Conforme Ilari (2006), a memória musical própria existe devido à vivência com a música antes do nascimento e depois do nascimento. Vieira; Prado; Leão, (2013) afirmam sobre pesquisas comprovando que os bebês são capazes de reconhecer depois do nascimento a mesma versão da música ouvida no útero, até mesmo posterior a um período de três semanas.

 

MEMÓRIA SENSORIAL

 

A memória sensorial é o início do processo de memorização onde as informações processadas ficam registradas no cérebro por menos de dois segundos (memória de curto prazo). Por exemplo: um músico fazendo leitura de uma música à primeira vista, tendo este ótima compreensão da peça, o mesmo tocará sem dificuldade. Entretanto, retirando-lhe a partitura, com dificuldade tocará a mesma música novamente. Isso ocorre porque a memória registra as informações da peça por curto espaço de tempo.

 

MEMÓRIA DE CURTO PRAZO

 

Segundo Albano (2013), a memória de curto prazo tem pouca capacidade para armazenar informações. Sendo assim, para armazenar as informações estudadas por mais tempo, é necessário que o estudante tenha interesse em aprender e pratique a atividade repetindo a lição. Fora isso, as informações se perderão.

Consonante com Izquierdo (2011, p. 68), as repetições da leitura musical e dos exercícios proporcionam a transferência das informações processadas sedimentando esse conteúdo na memória de longo prazo. Dessa forma, toda a sequência musical da peça estudada ficará memorizada. A memória de curto prazo pode se estender por um período de até seis horas após o momento do aprendizado, é nessa fase que a memória de longo prazo passa a ser constituída.

 

MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

 

Segundo Baddeley, Anderson e Eysenck (2011, p. 23), A memória de longo prazo é conhecida como “(...) um sistema ou sistemas que servem de base à capacidade de armazenar informação por longos períodos de tempo”.

 

PROCEDIMENTOS PARA MANUTENÇÃO DA MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

 

1.    Processamento automático - "É como se essas memórias fossem impressas em nossas mentes como um flash. Isso ocorre porque estas estão carregadas de emoção" (BRAZ, 2013, p. 80).

 

2.    Repetição mecânica - Processo que busca reter as informações através do treino e repetições (BRAZ, 2013, p. 80).

 

3.    Repetição elaborativa - "esse procedimento é essencial para os instrumentistas, pois agrega mecanismos automatizados com outros que poderão ser automatizados no futuro (...)" (BRAZ, 2003, p. 81).

 

4.    Importância da emoção no processo de aprendizagem - "[...] quando há emoção, a memória é forte. Ausência de emoção significa memória mais fraca" (BRAZ, 2013, p. 83).

 

5.    Atenção - “[...] quem não gosta do que estuda tem um poder de memorização menor" (BRAZ, 2013, p. 83). O indivíduo que não tem interesse em aprender o assunto e não encontra motivação para aprender, naturalmente não terá atenção nem concentração.

 

6.    Contexto - Segundo Cruvinel (2005, p. 77) a assimilação dos conceitos teóricos musicais e memorização poderão ser mais eficientes se estiverem interligados com o contexto da prática musical durante a aprendizagem. Ainda, segundo a autora, esse processo de ensino de teoria musical contextualizado com a prática é denominado de teoria aplicada.

 

7.    Sono - "[...] ajuda a consolidar memórias, fixando-as no cérebro, para que possamos recuperá-las posteriormente; ele reorganiza memórias, escolhendo os detalhes emocionais e os reconfigurando para ajudar a produzir ideias novas e criativas" (BRAZ, 2013, p. 85).

 

CONSIDERAÇÕES

 

Para melhor aproveitamento no processo de aprendizagem de violão em grupo é importante que durante os estudos ocorram memorização, assimilação dos conceitos teóricos musicais e interligação com o contexto da prática musical. Escolher repertório que seja interessante para os alunos e atraia a sua atenção, dando-lhes a sensação de estarem experimentando tocar em um conjunto musical, camerata ou em uma orquestra de violões. Essa emoção provoca a liberação de hormônios que favorecem tanto a concentração como a memorização dos conteúdos vivenciados. Aplicar divisão de conteúdos nas aulas coletivas de violão em diferentes momentos, durante a mesma aula, associando esses conteúdos a leitura, partitura, apreciação musical e cifra. "[...] espalhar a informação ao longo do tempo é mais eficiente do que concentrá-la em um único período por horas seguidas" (BRAZ, 2013, p. 82). Quando uma turma de alunos já possui algum conhecimento prévio do conteúdo musical a assimilação de todos novos conteúdos é facilitada, pois os alunos conseguem realizar conexões, associações, gerando aprendizado a partir do que está sedimentado na memória.

Acredito ser importante compartilhar esse conhecimento, pois existem muitas e variadas formas de ensino de violão em grupo, e muito para se descobrir. Sobretudo acredito que esse trabalho possa ser útil para interessados no assunto abordado.

 

 

REFERÊNCIAS

ALBANO, Lilian Maria José. Aspectos neurológicos do processo de memorização. In: LIMA, Sonia Regina Albano de (Org.). Memória, performance e aprendizagem musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 7-63.

BADDELEY, Alan; ANDERSON, Michael C.; EYSENCK, Michael. W. Memória. Tradução: Cornélia Stolting. Porto Alegre: Artmed, 2011.

BRAGA, Simone; TOURINHO, Cristina. Um por todos ou todos por um: processos avaliativos em música. Feira de Santana: UEFS Editora, 2013.

BRAZ, Ana Lucia Nogueira. Memória: tipos e atributos. In: LIMA, Sonia Regina Albano de (Org.). Memória, Performance e Aprendizagem Musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 65-94.

CRUVINEL, Flávia Maria. Educação Musical e Transformação Social: uma experiência com ensino coletivo de cordas. Goiânia: ICBC, 2005.

CUNHA, Sandra Mara da; LOMBARDI, Silvia Salles Leite; CISZEVSKI, Wasti Silvério. Reflexões acerca da formação musical de professores generalistas a partir dos princípios: “os quatro pilares da educação” e “educação ao longo de toda a vida.” Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 22, p. 41–48, 2009.

ILARI, Beatriz. Desenvolvimento cognitivo-musical no primeiro ano de vida. In: ILARI,

Beatriz. (Org.). Em busca da mente musical: Ensaios sobre os processos cognitivos em música - da percepção à produção. Curitiba: Editora da UFPR, 2006. p. 271-302.

IZQUIERDO, Iván. Memória. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

LEÃO, Eliane. Aprendizagem e Memória - implicações para a educação musical. In: LIMA, S. R. (Org.). Memória, Performance e Aprendizagem Musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 95-113.

SÁ, Fábio Amaral da Silva; LEÃO, Eliane. Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais: um levantamento nas produções publicadas pela ABEM em Revistas e Anais (1992-2013). In: Encontro Nacional de Ensino Coletivo de Instrumento Musical, 6. 2014. Salvador. Anais... Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2014.

VIEIRA, Edna; PRADO, Antonio; LEÃO, Eliane. Cognição de Bebês: o papel da música na comparação da vida intrauterina e pós-natal e os resultados na linguagem e leituras. In: LEÃO, Eliane (Org.). Pesquisa em Música: apresentação de metodologias, exemplos e resultados. Editora CRV. Curitiba: 2013. p. 29-33.


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