Projeto Simplesmente
Música
Junho 2023
MEMÓRIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES EM AULAS
COLETIVAS DE VIOLÃO
Prof. Ailton Rozendo
ailtonrozendo@gmail.com
O
presente trabalho tem como objetivo provocar reflexão sobre a memória e suas
contribuições em aula de violão em grupo.
Palavras
chave: memória, ensino coletivo de violão.
A IMPORTÂNCIA
DA MEMÓRIA NO APRENDIZADO E EXECUÇÃO MUSICAL
A memorização é uma ferramenta essencial no
processo de aprendizagem e execução musical. Estão relacionados nesse processo
“(...) a vontade do sujeito, assim como sua atenção, motivação, interesse, treino,
estado emocional, tempo de dedicação ao ensaio, entre outros" (BRAZ, 2013,
p. 80).
(...) as informações necessárias
para a execução de um instrumento musical são reservadas nas várias memórias
que se interligam, podemos resumi-las em: digital, visual e auditiva (PINTO,
2005, p. 19).
Conforme Ilari (2006, p. 273-276) o processo
de desenvolvimento da memória humana inicia-se por volta do sexto mês de
gestação. Nesse período o ouvido passa a exercer a sua função. Ainda,
durante
esse período a memória de longo prazo de um feto passa a ser capaz de armazenar
informações relacionadas ao som. Logo, posterior ao nascimento, os bebês são
capazes de perceber a direção de uma fonte sonora, apresentando capacidades
auditivas (percepção de altura e intensidade). De acordo com Cunha, Lombardi,
Ciszevski (2009, p. 44) a evolução da memória deve ser aperfeiçoada desde a
infância. Conforme Ilari (2006), a memória musical própria
existe devido à vivência com a música antes do nascimento e depois do
nascimento. Vieira; Prado; Leão, (2013) afirmam sobre pesquisas comprovando que os bebês
são capazes de reconhecer depois do nascimento a mesma versão da música ouvida
no útero, até mesmo posterior a um período de três semanas.
MEMÓRIA
SENSORIAL
A memória sensorial é o início do processo de
memorização onde as informações processadas ficam registradas no cérebro por
menos de dois segundos (memória de curto prazo). Por exemplo: um músico fazendo
leitura de uma música à primeira vista, tendo este ótima compreensão da peça, o
mesmo tocará sem dificuldade. Entretanto, retirando-lhe a partitura, com
dificuldade tocará a mesma música novamente. Isso ocorre porque a memória
registra as informações da peça por curto espaço de tempo.
MEMÓRIA
DE CURTO PRAZO
Segundo
Albano (2013), a memória de curto prazo tem pouca capacidade para armazenar
informações. Sendo assim, para armazenar as informações estudadas por mais
tempo, é necessário que o estudante tenha interesse em aprender e pratique a
atividade repetindo a lição. Fora isso, as informações se perderão.
Consonante
com Izquierdo (2011, p. 68), as repetições da leitura musical e dos exercícios
proporcionam a transferência das informações processadas sedimentando esse
conteúdo na memória de longo prazo. Dessa forma, toda a sequência musical da
peça estudada ficará memorizada. A memória de curto prazo pode se estender por
um período de até seis horas após o momento do aprendizado, é nessa fase que a
memória de longo prazo passa a ser constituída.
MEMÓRIA
DE LONGO PRAZO
Segundo Baddeley, Anderson e Eysenck (2011, p. 23), A memória
de longo prazo é conhecida como “(...) um sistema ou sistemas que servem de base à capacidade de
armazenar informação por longos períodos de tempo”.
PROCEDIMENTOS
PARA MANUTENÇÃO DA MEMÓRIA DE LONGO PRAZO
1.
Processamento
automático - "É como se essas memórias fossem impressas em
nossas mentes como um flash. Isso ocorre porque estas estão carregadas de
emoção" (BRAZ, 2013, p. 80).
2.
Repetição
mecânica - Processo que busca reter as informações através do treino e repetições (BRAZ,
2013, p. 80).
3.
Repetição
elaborativa - "esse procedimento é essencial para os
instrumentistas, pois agrega mecanismos automatizados com outros que poderão
ser automatizados no futuro (...)" (BRAZ, 2003, p. 81).
4.
Importância
da emoção no processo de aprendizagem - "[...] quando há emoção, a
memória é forte. Ausência de emoção significa memória mais fraca" (BRAZ,
2013, p. 83).
5.
Atenção
- “[...]
quem não gosta do que estuda tem um poder de memorização menor" (BRAZ,
2013, p. 83). O indivíduo que não tem interesse em aprender o assunto e não
encontra motivação para aprender, naturalmente não terá atenção nem
concentração.
6.
Contexto
- Segundo
Cruvinel (2005, p. 77) a assimilação dos conceitos teóricos musicais e
memorização poderão ser mais eficientes se estiverem interligados com o
contexto da prática musical durante a aprendizagem. Ainda, segundo a autora, esse
processo de ensino de teoria musical contextualizado com a prática é denominado
de teoria aplicada.
7.
Sono
-
"[...] ajuda a consolidar memórias, fixando-as no cérebro, para que
possamos recuperá-las posteriormente; ele reorganiza memórias, escolhendo os
detalhes emocionais e os reconfigurando para ajudar a produzir ideias novas e
criativas" (BRAZ, 2013, p. 85).
CONSIDERAÇÕES
Para
melhor aproveitamento no processo de aprendizagem de violão em grupo é
importante que durante os estudos ocorram memorização, assimilação dos
conceitos teóricos musicais e interligação com o contexto da prática musical. Escolher
repertório que seja interessante para os alunos e atraia a
sua atenção, dando-lhes a sensação de estarem experimentando tocar em um conjunto
musical, camerata ou em uma orquestra de violões. Essa emoção provoca a liberação
de hormônios que favorecem tanto a concentração como a memorização dos
conteúdos vivenciados. Aplicar divisão de conteúdos nas aulas
coletivas de violão em diferentes momentos, durante a mesma aula, associando
esses conteúdos a leitura, partitura, apreciação musical e cifra. "[...]
espalhar a informação ao longo do tempo é mais eficiente do que concentrá-la em
um único período por horas seguidas" (BRAZ, 2013, p. 82). Quando
uma turma de alunos já possui algum conhecimento prévio do conteúdo musical a
assimilação de todos novos conteúdos é facilitada, pois os alunos conseguem
realizar conexões, associações, gerando aprendizado a partir do que está
sedimentado na memória.
Acredito ser importante compartilhar esse
conhecimento, pois existem muitas e variadas formas de ensino de violão em
grupo, e muito para se descobrir. Sobretudo acredito
que esse trabalho possa ser útil para interessados no assunto abordado.
REFERÊNCIAS
ALBANO,
Lilian Maria José. Aspectos neurológicos
do processo de memorização. In: LIMA, Sonia Regina Albano de (Org.). Memória, performance e aprendizagem
musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 7-63.
BADDELEY,
Alan; ANDERSON, Michael C.; EYSENCK, Michael. W. Memória. Tradução: Cornélia Stolting. Porto Alegre: Artmed, 2011.
BRAGA,
Simone; TOURINHO, Cristina. Um por todos
ou todos por um: processos avaliativos em música. Feira de Santana: UEFS
Editora, 2013.
BRAZ,
Ana Lucia Nogueira. Memória: tipos e
atributos. In: LIMA, Sonia Regina Albano de (Org.). Memória, Performance e Aprendizagem Musical: um processo interligado.
Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 65-94.
CRUVINEL,
Flávia Maria. Educação Musical e
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Alegre, v. 22, p. 41–48, 2009.
ILARI,
Beatriz. Desenvolvimento
cognitivo-musical no primeiro ano de vida. In: ILARI,
Beatriz.
(Org.). Em busca da mente musical: Ensaios sobre os processos cognitivos em
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IZQUIERDO,
Iván. Memória. 2 ed. Porto Alegre:
Artmed, 2011.
LEÃO,
Eliane. Aprendizagem e Memória -
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Musical: um processo interligado. Jundiaí: Paco Editorial, 2013. p. 95-113.
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Fábio Amaral da Silva; LEÃO, Eliane. Ensino
Coletivo de Instrumentos Musicais: um levantamento nas produções publicadas
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Universidade Federal da Bahia, 2014.
VIEIRA,
Edna; PRADO, Antonio; LEÃO, Eliane. Cognição
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resultados na linguagem e leituras. In: LEÃO, Eliane (Org.). Pesquisa em Música: apresentação de
metodologias, exemplos e resultados. Editora CRV. Curitiba: 2013. p. 29-33.