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quinta-feira, 27 de julho de 2023

No Silêncio da Noite Insone

 No Silêncio da Noite Insone

 

No silêncio da noite insone

Há dias em que o tempo desperta

uma saudade incômoda,

que aperta o peito, feito um

fio de arame farpado.

E sangra o amor inacabado,

perdido entre nós,

no desacerto das horas.

O pensamento, nau perdida

de tuas lembranças,

vaga em busca do porto seguro

que já não encontro em ti.

Eu naufrago nas palavras.

Mergulhada no abismo

sem fim costuro os versos,

erguendo estrofes em

um poema imaginário.

Verto, no silêncio da noite insone,

as lágrimas, gotas insanas de

um pranto dorido, sangue

perdido em tuas veias.

Tu és, ainda em mim,

a metáfora do amor tardio,

a ausência sentida,

a resposta que,

por breve momento,

procuro em vão.

Resgato a Bacante de outrora

que já não serve ao Mestre.

Enquanto isso, a Poetisa,

melancólica, somente

lamenta e chora.

 

Rita Venâncio.

 

https://poetisa-da-rosavermelha.blogspot.com/search/label/Poemas%20de%20Rita%20Ven%C3

Ponto, Vírgula

 Ponto, Vírgula

 

O amor ficou suspenso,

perdido no tempo,

sem ter asas para voar.

Deixou de ser beija-flor,

perdeu o encanto, a

razão para amar.

Viu-se perdido no labirinto

onde as emoções são desfeitas

e o fio de Ariadne

não alcança.

Havia resquícios de

esperança no teu

coração ferido,

dilacerado pelo esquecimento,

mas a brevidade foi

acumulando mágoas,

apagando os laços entre nós.

A esperança caiu

no abismo e a vida

foi se tornando uma

fotografia

em preto e branco.

Não havia mais

a vírgula no discurso

que o teu coração tecia.

O ponto final, escrito

no fim do poema,

é a certeza de que

o amor, finalmente, virou

a página, perdeu-se

no tempo, talvez

levado pelo vento.

A vírgula, enfim suspensa,

cedeu lugar ao ponto final

que, agora, na sutileza do

verso te dispensa.

 

Rita Venâncio

 

https://poetisa-da-rosa-vermelha.blogspot.com/search/label/Poemas%20de%20Rita%20Ven%C3%A2ncio

Outro Tempo

 Outro Tempo

 

Dorme, no fundo da velha gaveta,

um poema esquecido.

Fora escrito em um outro tempo,

quando eu ainda te amava.

Eram sobras de sentimentos,

rascunhos de dores, partidas.

Não sei precisar a data,

mas recordo a emoção que

ainda sangra, com tintas fortes,

rubras, o meu peito.

Talvez tenha sido escrito

no tempo em que a

adolescência desabrochava – flor

insana e delicada – ,

época em que

tudo parecia ser intenso demais,

dramático demais,

exagerado demais, como aqueles

versos do Cazuza.

Penso também que poderia

ter sido no tempo da

maturidade, quando

O amor já não é tão urgente e

as palavras caem com mais

suavidade no papel.

Ah! O tempo e suas teias...

As armadilhas do cotidiano,

o sabor agridoce das lágrimas que

continuam, ainda, a cair.

Mas o poema é de amor.

E amor é atemporal.

O poema esquecido, surge agora

diante de meus olhos

e longe do teu coração.

 

Rita Venâncio


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Quando Você Se Foi

                                                          Quando Você Se Foi

 

Quando você se foi era o tempo

em que a noite caía sobre mim.

Não havia lua, nem

estrelas, nem sonhos.

Apenas a penumbra

mortiça de

uma meia-luz na

fresta da porta.

O silêncio cortava o

espaço como um punhal

afiado para a

batalha.

Amores partidos

permeavam

o campo e

o meu coração sangrava

dor e mágoa na

fria madrugada.

Havia uma revolução

de sentimentos,

um não sei o

quê de lágrimas amargas

que percorriam o

leito dos meus olhos.

E de tudo, um pouco,

um muito de você.

Em algum lugar do

peito a incerteza

que a despedida

deixa, como marca

indelével, rubra.

Quando você se

foi uma parte de

mim ficou mimetizada

na poeira dos teus pés.

 

Rita Venâncio

 

https://poetisa-da-rosa vermelha.blogspot.com/search/label/Poemas%20de%20Rita%20Ven%C3%A2ncio

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